O sabão negro


Este produto, trouxe-o por acaso, de uma das últimas lojas de especiarias de Essaoiura, como oferta do simpático vendedor, quando lhe perguntámos o preço depois de termos feito já algumas compras. Às minhas “companheiras” de compras espanholas ainda ofereceu uma luva de kessa, mas eu não tive coragem de pedir uma também, já que o negócio anterior tinha sido tão proveitoso para mim. Fica para uma próxima a experiência com a tal luva.

Ao início, e para quem não está habituado a ele, este “sabão” negro pode parecer um pouco estranho. Na verdade, à primeira vista pereceu-me um pouco repulsivo. O cheiro não é nada de especial, daí venderem-no também em embalagens (o meu era ao peso, em sacos de plástico) com mistura de essências como rosa ou jasmim. A consistência é um pouco untuosa e invulgar. Mas o resultado é excelente. Eu usei, recomendo e da próxima vou trazer mais.

O sabão, obtido a partir de uma mistura de azeite e azeitonas pretas esmagadas e embebidas em sal e potássio, é ao mesmo tempo um esfoliante natural poderoso e um hidratante excelente para a pele, pois é muito rico em vitamina E regeneradora. Uma vez misturada com água, a pasta torna-se mais macia, mas não faz muita espuma. Actua em profundidade, fornecendo uma eficácia incrível contra toxinas e removendo a pele morta.

Deve ser aplicado sobre a pele molhada, que, uns minutos depois, deve ser enxaguada e esfregada vigorosamente com uma luva de kessa para remover as células mortas. Por fim, a pele deve ser enxaguada abundantemente.

Este sabão é verdadeiramente fabuloso, na minha opinião. Agora tenho pela de ter trazido pouquito. Pelas minhas contas, numa próxima viagem não me chegará uma mala extra ;)

Aker el Fassi, o batom berbere


Outro produto que trouxe e não podia deixar de vos mostrar é o Aker el Fassi, o batom berbere. Achei tão engraçado que não podia deixar de trazer um. No meio das explicações exaustivas do vendedor e das demonstrações de tudo e mais alguma coisa, perguntei o preço e ele ofereceu-mo. Achei uma delícia.


O Aker El Fassi é um batom natural que vem sob a forma de um pequeno pote de barro vermelho-rosado. Este produto berbere é usado há muito pelas mulheres do Oriente. É completamente natural, feito a partir de pó de papoila seca ao sol e romã (se não estou em erro), e depois aplicada numa espécie de sino de argila. Para usar o Aker el Fassi, basta humedecer um dedo ou um pincel e aplicar nos lábios. Supostamente dura muito tempo, mas nunca experimentei durante tempo suficiente para o comprovar. Talvez nunca o vá usar como deve ser, mas guardá-lo-ei sempre pela originalidade e como recordação de um pedaço de tempo bem passado a (o primeiro de muitos) a receber explicações infindáveis sobre os produtos naturais de Marrocos.

Para verem como se usa, encontrei este vídeo bem explicativo:


Que acharam? É bem giro, não é? Uma recordação bem engraçada para amantes da maquilhagem.

Maquilhagem - Kohl ou Kajal

Se antes da minha viagem já considerava que o único produto de maquilhagem que nunca dispensaria era o lápis dos olhos, agora confirmei isso mesmo. Fui para lá com uma ideia em mente... tinha de trazer kohl. E trouxe. E agora só quero mais e mais.

Ora aqui está um:


E o outro:


Estão curiosas para ver como é? Ok, ok, mas antes um pouco de história. Além de lindas temos de aumentar a nossa cultura geral, não é?

O kohl é um cosmético de olhos antigo. É criado através da trituração de galena (sulfeto de chumbo) e outros ingredientes. É amplamente utilizado no Sul da Ásia, no Médio Oriente, no Norte da África, no Corno de África e partes da África Ocidental para escurecer as pálpebras e, como máscara para pestanas. É usado principalmente por mulheres, mas também alguns homens e crianças.

O kohl adopta inúmeros nomes: Árabe: كحل Kuhl; Hindi: काजल kajal; curdo: کل; Urdu: کاجل kajal; Malayalam: കൺമഷി kaNmashi / സുറുമ suRuma; canará: ಕಾಡಿಗೆ; Somália: kuul; Hausa: kwalli; Fula: pinaari; Telugu: కాటుక Katuka; Tamil: கண் மை Kan Mai; hebraico: כחול. É também conhecido como kol, kehal ou kohal no mundo árabe, e surma ou kajal no Sul da Ásia.

O kohl era usado tradicionalmente desde a Idade do Bronze (3500 a. C. em diante) por rainhas egípcias. Era originalmente usado como proteção de doenças oculares. Houve também uma crença de que a escurecimento ao redor dos olhos protegia dos raios solares. A casta mais antiga da Índia, koli, usava o kohl como cosmético. Além disso, as mães aplicavam kohl nos olhos dos filhos logo após o nascimento. Algumas faziam isso para "fortalecer os olhos da criança", e outras acreditavam que isso protegeria a criança do mau-olhado.
 
Então, espera lá, mas isso do chumbo não faz mal? Talvez. Há estudos contraditórios acerca do uso do kohl, ou kajal. Eu preferiria não arriscar, mas confesso que fui de olhos tapados e nem me passou tal coisa pela cabeça. Mas tive sorte. O meu kohl em pó é produzido pela Khojati, que afirma ser livre de chumbo. E era a marca que me aparecia por todo o lado, o que me dá uma certa confiança. Quanto ao meu outro kohl, ou kajal, não sei bem. Mas gostava de pensar que é seguro porque estou apaixonada por ele.  
 
Pois, e então como é que eles são mesmo? Beeeem...  são assim:



E isso como é que se põe? Diz lá. Há vários vídeos no YouTube sobre o assunto, por isso aqui vai um para verem como é, tá? Digam lá que se eu não sou simpática...


ou então aqui:


Bem, agora vou mostrar-vos alguns tipos diferentes de kohl. O que mais aparecia por Marrocos era o pó, mas há uma variedade imensa de formas e recipientes.







Os produtos citados acima, são todos da Khojati, uma empresa indiana.

Os produtos abaixo são da Hashmi, uma empresa paquistanesa quem segundo estudos americanos, possuem altas concentrações de chumbo. Verifiquei no site deles e eles negam tudo, no entanto, nunca fiando e aqui ficam algumas imagens.




De qualquer modo, o melhor é ler sempre os rótulos, sempre que possível e preferir produtos que mostrem a sua composição. Ou então optar por comprar por cá marcas mais conceituadas que possuem kohl em pó e em barra.





No entanto, eu continuo a preferir os meus pozinhos negros mágicos que trouxe de lá. Afinal, ficaram-me por 5Dh (0,50€). Para a próxima trago um carregamento. 

E então, gostaram? Atreviam-se a usar?

Amanhã há mais coisinhas maravilhosas para mostrar.
Deixo-vos aqui mais umas fotos da viagem a Marrocos, pouquinhas, só para aguçar o apetite.

Praça Jemaa el-Fna, um dos locais que mais me impressionou em Marraquexe, animada como só ela

Porto de Essaouira

O que se come por lá, perguntam vocês? Come-se bem. Só não se pode olhar muito para o lado nem pensar muito, em alguns sítios.

Salada de tomate e pimento, tagine de frango, kebabs de vaca e salsichas na Jemaa el-Fna 

Shwarma, hambúrguer, sande de kebab, chicha kebab

Lulas, linguado e lagosta em Essaouira, pequeno almoço na riad

E as compras? Bem, é um convite ao consumismo, especialmente devido à variedade de coisas diferentes e à qualidade excelente dos produtos naturais, especialmente as especiarias. Os cheiros inebriam-nos e convidam à compra.

Das babouches, à bijutaria, passando pela cerâmica e pelo metal, tudo apetece trazer.


Os candeeiros e as especiarias quiseram logo vir comigo.


E vieram, assim como algumas outras coisitas poucas que ainda cabiam na mala. 


Há sempre sítios onde gastar dinheiro. Por todo o lado há onde petiscar. Os doces abundam, assim como os frutos secos e os sumos de laranja natural (excelentes!).


Se quiserem alguma explicação, terei todo o gosto e dá-la. E, se vos abri o apetite, e quiserem dicas sobre uma viagem, tenho tudo apontadinho. Numa próxima viagem já tenho tudo estudado.

Amanhã mostro-vos mais pormenorizadamente algumas compritas.

Beijinhos

Voltei de férias...


... com Marrocos nas unhas e no coração.

Pois é, este ano as férias não foram exaustivamente programadas com muita antecedência. Foram algo quase impulsivo, do momento. Tinhamos visto uns programas na TV sobre Marrocos, fomos à Net, os preços das viagens estavam baixos, e toca a marcar. Muito honestamente, nunca tinha sido um daqueles destinos obrigatórios para mim, nem um destino há muito sonhado. Hoje, posso dizer-vos que é um daqueles destinos onde irei voltar de certeza. É certo que todos os anos digo o mesmo quando volto. Ah, eu vou voltar! Disse-o de Cuba, disse-o do México... mas sei que tão cedo não o farei. Marrocos é daqueles lugares onde vou voltar bastante em breve, "Insha'Allah". 

Esta viagem conseguiu excitar-me os sentidos, mas também a alma. Não sei se foi sorte, se me "calharam na rifa" as pessoas certas, se o que foi, mas voltei com a sensação de que algo voltou comigo, à parte as compras que fiz. Trouxe comigo uma saudade à qual não estou habituada. Guardarei para sempre as histórias que se passaram por lá, os sorrisos sinceros de pessoas que nunca esquecerei, os cheiros que se entranhavam na pele e que hoje ainda pareço sentir, a cor que me rodeava por todo o lado, o ruído das motos e das gentes.

Aos poucos, e em tão pouco tempo, começámos a habituar-nos a tudo aquilo. Já não olhávamos em volta à procura de um ponto de referência na Medina. Já reconhecíamos imediatamente que se aproximava uma mota ou uma bicicleta sem sequer olhar, já regateávamos como se estivesse na nossa natureza. Descobri também que ambos passávamos facilmente por marroquinos, apesar de eu ser branquita. Muitas vezes me disseram que eu tinha ar de Berbere e inclusive me rebaptizaram de Fátima.

Hoje, continuo com Marrocos (da Risqué) nas unhas, que me acompanhou toda a viagem. Continuo com as tatuagens que tento manter na pele o máximo de tempo possível. Continuo a usar o kohl, que já se tornou um hábito, e os colares e pulseiras berberes. E continuo a beber o meu thé à la menthe quase diariamente.

E para não me alongar mais, amanhã falo mais um pouco e mostro mais umas fotos de dois lugares que me encantaram: Marraquexe e Essaouira. E, claro, vou mostrar-vos o meu Kohl e as coisinhas lindas que trouxe de lá.
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